O relator da CPI dos Fundos de Pensão, deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR) questionou durante audiência pública, nesta terça- feira (1°/9), o diretor- presidente da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), Henrique Jäguer, sobre os constantes investimentos que causaram perdas financeiras ao fundo.

IMG 6983 1024x683 - CPI Fundos de Pensão: empresa criada pela Petrobras pode ter gerado deficit para Petros

 

Jäger assumiu o fundo há seis meses. Sobre os investimentos alegou não saber como eles aconteceram. Perguntado pelo relator sobre a compra de ações da Itaúsa, ocorrida em 30 de dezembro de 2010, no último horário do pregão, o diretor foi evasivo: “Fica muito difícil analisar um investimento que ocorreu há tantos anos. Não tenho conhecimento do que levou a diretoria optar pelo investimento”.

O deputado complementou ainda, que “a má gerência da acionista majoritária está refletindo diretamente na Petros e consequentemente nos seus beneficiados”. Para o relator a CPI está investigando não apenas a má gerência do déficit, mas também, até onde o superávit não poderia ter sido maior.

Sete Brasil

Além deste investimento duvidoso, Sérgio Souza destacou alguns pontos obscuros sobre a empresa Sete Brasil, criada pela Petrobras em 2011. “Como o senhor avalia o investimento realizado na Sete Brasil, de R$ 1,7 bilhão e hoje estar em R$ 1,3?” indagou Souza.

Questionado sobre os investimentos na Sete Brasil, o diretor não viu com estranheza Pedro Barusco, diretor da Petrobras; e Nilton Carneiro, diretor de investimento da Petros, formarem a Sete Brasil, e a Petros investir na empresa.

PT

Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2009, Jäger afirmou que durante a sua gestão, “em nenhum momento algum ator externo a Petros exerceu pressão para decisão de investimentos”.

A Petros é o segundo maior fundo do País, possui 158.225 mil participantes e seus investimentos são de R$ 68,1 bilhões. O déficit em 2014 foi de R$ 6, 2 bilhões.

Entenda

A Itaúsa é um grupo de empresas que tem participações no Itaú Unibanco, Duratex, painéis de madeiras, louças sanitárias, além da Itautec tecnologia. As ações de 12% do capital da empresa, compradas no valor de R$2,6 bilhões, pertenciam anteriormente à empresa Camargo Côrrea, que é investigada pela Operação Lava-Jato.

Após a compra, a Petros passou a ter 15% do capital da Itaúsa. Antes mesmo de se chegar a esta porcentagem, a Petros já ocupava uma cadeira na diretoria da Itaúsa, fator que também será aprofundado na CPI.

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